o grupo de whatsapp | desafio 1+3

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Existe, no meu telemóvel, um grupo de WhatsApp. É sempre o primeiro da lista - porque vocês não se calam um bocadinho - e funciona como um pedaço de casa camuflado em formato digital. Não tenho bem a noção de qual a esperança média de vida para estas conversas aleatórias em grupo, mas o nosso idoso caminha rumo aos quatro anos, sem poder usufruir de momentos tranquilos de reforma, visto que todos os dias se passa alguma coisa que lhe dá cabo da cabeça.

É tudo confidencial - começando no nome, terminando no conteúdo - e já tem mais histórias para contar que os livros de contos de fadas (lá sapos há muitos). Foi onde eu, finalista da licenciatura,  perguntei como se preenchiam os formulários de candidatura à universidade e, um mês mais tarde, partilhei pela primeira vez os resultados das colocações de 2017. É um pequeno documentário escrito - e às vezes falado, porque a Cláudia costuma sofrer de preguiça - do nosso último ano no secundário e de como conseguimos permanecer unidas a partir daí, mesmo não estando nenhuma no mesmo curso.

Não somos parecidas. Provavelmente nem seríamos amigas, se o destino (leia-se, a secretaria da escola) não nos tivesse colocado na mesma turma, quando o décimo ano começou e escolhemos Humanidades - a única característica uniforme em todas. No entanto, de alguma maneira, conseguimos fazer funcionar e conseguimos crescer mantendo uma base de amizade, respeito e companheirismo umas pelas outras. Apoiamos-nos, criticamos-nos, pedimos ajuda, não nos falhamos. Vivemos todos os dias num inconsciente processo de aprendizagem mútuo, que às vezes nos faz precisar de respirar e dizer meia dúzia de palavrões - a convivência tem destas coisas -, mas que, no final de contas, nos torna em seres humanos melhores. 

Vocês foram os cérebros geniais (ehhhh....) que me ajudaram a compreender que quem se importa, demonstra e, se não importar, tudo bem, porque só faz falta quem está. Não existiu um único momento, desde o início da nossa amizade - fortalecida pelos apontamentos de História A e as conversas de balneário antes das aulas de Educação Física - onde o apoio das minhas amigas não fosse suficiente. Quando o pior acontecia, foram sempre capazes de me segurar e de me fazer perceber quem eu era e para onde tinha de ir, em vez de tomarem decisões por mim. Ensinaram-me que o segredo para uma boa amizade está na retribuição, partilha e perdão - em encontrar a outra pessoa no meio, ou em ir buscá-la ao outro lado quando ela sozinha não consegue caminhar, porque eventualmente chega o dia em que somos nós quem precisamos de ajuda, porque não conseguimos dar 50% de nós próprios (because life can be a bitch).

Descobri que não são "as minhas pessoas", por mais que estejam sempre presentes e saibam todas as vírgulas das minhas histórias de cor e salteado, porque ninguém pertence a ninguém e essa liberdade é o maior presente que podemos oferecer uns aos outros. E somos todas livres para sermos diferentes sem filtros e ilusões, porque mesmo que a falta de censura provoque alguns conflitos, mais vale concordar em discordar que viver a vida calada - se é para falar, que seja abertamente e plenamente, porque é assim que se cresce.

Ah e também me ensinaram que se não for apagando as fotografias que mandam a toda a hora, a memória do telemóvel enche todos os dias.

Para a Maria, a Natália, a Vânia, a Cláudia, a Jéssica e a Sofia.

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1 comentários

  1. que texto tão querido! ainda bem que te sentes em casa com essas tuas amigas

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